Fire in Moria: shifting approach? 

ENG:

On September 8, 2020, a fire broke out in the Moria refugee camp on the island of Lesbos (Greece). This tragedy occurred in what was the largest refugee camp in Europe, and left about 13,000 people homeless.  

There was a great deal of debate about the origin of the fires, but eventually 6 migrants were arrested and sentenced (although all maintain their innocence to this day, and experts claim that the Greek government had no hard evidence, with a single witness being used who provided 6 common Afghan names). However, it is well known that the living conditions in this camp had long been not only inhumane, unsafe and volatile, but also disaster-prone. Many have referred to the situation as a ticking time bomb that finally went off.  

The problems began with overcrowding. Originally, the camp was designed to house about 3,000 people, but with increasing restrictions imposed by European governments, Greece was responsible for managing asylum applications before migrants could proceed to other EU countries, a bureaucratic process that takes years. As a consequence, the number of residents in Moria increased exponentially, and the camp grew outside the official grounds, with people crowding into tents on the surrounding hills, what the inhabitants called “the jungle.” Clogged toilets, showers shared by 500 people, rat infestations, hours of queuing for food and more were part of daily life. Large NGOs provided medical, legal, and psychological assistance, but the waiting lists for access to services were too long.  

One would have hoped that this situation would lead to a change in the approach towards the migrant crisis. However, this has not been the case, and these people face even more restrictions. The EU and Greece have agreed to build new camps and identification centers, and the authorities are carrying out detention and containment policies in them, greatly restricting freedom of movement. This will lead to very limited access to services and assistance by those in need. This increasing restriction on freedom of movement further marginalizes those seeking help, who despite having better conditions than in Moria, are having their freedoms taken away from them, leading to an increase in the already existing mental health crisis caused by European policies of containment. It also makes it more difficult for NGOs to monitor conditions, access and provide critical support.  

These fires have reinforced the need for the EU to improve its asylum policies and ease restrictions, and the importance of continued action that seeks to improve living conditions, security and infrastructure while ensuring freedoms of movement and access to services.  

Text by Lara Azevedo

PT:

A 8 de Setembro de 2020, deflagrou um incêndio no campo de refugiados de Mória, na ilha de Lesbos (Grécia). Esta tragédia ocorreu naquele que era o maior campo de refugiados na Europa, e deixou cerca de 13.000 pessoas sem abrigo.  

Houve um grande debate sobre a origem dos fogos, mas eventualmente 6 migrantes foram detidos e sentenciados (apesar de todos manterem a inocência até hoje, e especialistas afirmarem que o governo grego não tinha provas concretas, sendo que foi usada uma única testemunha que forneceu 6 nomes afegãos comuns). Contudo, é sabido que as condições de vida neste campo há muito eram, para além de desumanas, inseguras e voláteis, propícias a desastres. Muitos referiram-se à situação como uma bomba-relógio que por fim explodiu.  

Os problemas começam com a sobrelotação. Originalmente, o campo era desenhado para abrigar cerca de 3000 pessoas, mas com as crescentes restrições impostas pelos governos europeus, a Grécia era responsável pela gestão dos pedidos de asilo antes que  os migrantes pudessem seguir para outros países da UE, processo burocrático que leva anos. Como consequência, o número de residentes em Mória foi aumentando exponencialmente, e o campo foi crescendo para fora dos terrenos oficiais, com pessoas aglomerando-se em tendas nos montes em redor, aquilo a que os habitantes designavam “a selva”. Sanitas entupidas, chuveiros partilhados por 500 pessoas, infestações de ratos, horas em filas para obter alimento, entre outros, faziam parte do dia-a-dia. Grandes ONGs forneciam assistência médica, legal e psicológica, mas as listas de espera para acesso aos serviços eram demasiado longas.  

Seria de esperar que esta situação levasse a uma mudança na abordagem face à crise dos migrantes. Contudo, isto não foi verificado, e estas pessoas enfrentam ainda mais restrições. A UE e a Grécia acordaram a construção de novos campos e centros de identificação, e as autoridades estão a levar a cabo políticas de detenção e contenção nos mesmos, restringindo bastante a liberdade de movimento. Isto levará a um acesso muito limitado a serviços e assistências por parte daqueles que necessitam. Esta crescente restrição de liberdade de movimento vem marginalizar ainda mais aqueles que procuram ajuda, que apesar de terem melhores condições que em Mória, veem as suas liberdades serem-lhes retiradas, o que levará a um aumento da já existente crise de saúde mental causada pelas políticas de contenção europeias. Dificulta também trabalhos de monitorização de condições, acesso por parte de ONGs e fornecimento de apoio crítico.  

Estes fogos vieram reforçar a necessidade por parte da UE de melhorar as suas políticas de asilo e aliviar as restrições, e a importância de uma ação contínua que procure melhorar as condições de vida, de segurança e infra-estruturas, garantindo ao mesmo tempo liberdades de circulação e acesso aos serviços.  

Texto de Lara Azevedo

Sources/ Fontes: 

  1. https://www.bbc.com/news/world-europe-54082201 
  2. https://www.theguardian.com/world/2022/apr/21/disaster-waiting-to-happen-moria-refugee-camp-fire-greece-lesbos 
  3. https://www.theguardian.com/global-development/2022/sep/08/two-years-after-the-fire-moria-refugee-camps-legacy-still-leaves-its-mark 
  4. https://www.amnesty.eu/news/one-year-after-the-moria-fire-few-lessons-learned-as-greece-expands-barriers-to-refugees-protection/ 
  5. https://www.unrefugees.org.au/our-stories/inside-moria-refugee-camp/ 

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